Chegamos à Europa! Depois de uma viagem super tranquila, porém longuíssima, pousamos na Europa pela primeira vez, em Madri. Lembro de estar dentro do avião, a poucas horas (ou minutos) de chegar, e ficar olhando pra fora, naquele infinito de água, esperando aparecer um contorno de terra que eu jurava que seria igual aos mapas. Achei o máximo ficar tentando adivinhar onde era Europa e onde era África, e até hoje não sei se acertei. Mas foi muito bacana a sensação de ver terra firme surgindo depois de quase 10h de mar. Me senti um pouco como Cabral!
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Assim que chegamos a Madri, como tínhamos aproximadamente 1h entre as conexões, corremos para fazer a coisa mais importante que tínhamos pra fazer naquele momento: iraobanheiroligarparacasacomprarsouvenires! O nosso Foursquare caseiro! Temos a tradição (criada ano passado mesmo) de comprar uma lembrancinha de cada lugar em que pisarmos no mundo – basta pisar (temos lembrancinhas farsantes de lugares onde só pousamos e nem saímos do aeroporto, #prontofalei). Compramos meu copinho de shot (a minha tradição é comprar copinhos), um ímã de geladeira pra mamãe (que sutilmente exigiu uma lembrancinha de cada lugar por que passássemos), e lembrancinhas pra alguns entes queridos. Foi só isso mesmo?
[Foi nesse dia que nasceram o Enzo e o Bóris, nossos travesseiros de estimação gentilmente cedidos pela Lan (mas sem que eles soubessem =D ). O Enzo seria perdido logo no início da viagem ( =[ ), mas o Bóris foi um fiel escudeiro até o fim, e vive conosco até hoje.]
Depois das compras, embarcamos e em mais umas 2 ou 3h, chegamos a Frankfurt. Fizemos a imigração com um agente até simpático, e fomos buscar a bagagem. Ah, a adrenalina de se sentir analfabeta! Só podíamos entender as placas que tinham desenhos e setas! Não me sentia assim desde meus, sei lá, 6 anos! rs
Após pegarmos as bagagens, a primeira missão foi descobrir como sair do aeroporto. Paramos no balcão de informações para turistas, nos informamos, e quando já estávamos virando as costas pra ir embora, Deus lançou a luz divina em minha cabeça e eu voltei pra perguntar se aquele era o aeroporto Frankfurt Hahn, onde pegaríamos o vôo pra Estocolmo no dia seguinte. Não era. O Sr. Informação disse, educadamente, algo que equivalia a “iiih minha filha, não é esse aqui não! Esse aeroporto é láááá longe, tem que pegar um ônibus e leva umas 2h pra chegar!”. Era tipo chegar no Rio e ter que ir pra Cabo Frio pro próximo vôo. MASSA. Por pouco, mas por muito pouco mesmo, o capítulo Suécia não foi cortado da nossa história. Porque né, em nenhum momento durante a semana anterior nos passou pela cabeça que uma cidade do porte de Frankfurt pudesse ter mais de um aeroporto! #FAIL
Erro esclarecido, pegamos o ônibus que nos levava até a estação de trem/metrô que nos levaria até a cidade. E só o que conseguíamos pensar naquele momento, era em dormir num cheiro extremamente desagradável que nos acompanhava desde o baggage claim. Eu, honestamente, achava que o cheiro poderia ser meu, depois de quase 24h fora de casa. Vergonha.
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Na estação do trem/metrô, o bilhete tinha que ser comprado numas máquinas, onde havia uma bela fila. E quem disse que nós conseguíamos comprar o bendito? (pra facilitar, tínhamos que fazer uma troca de trens, o que só piorou na hora de explicar pra onde iríamos) Tivemos que pedir ajuda umas 3 vezes, até que alguém completou o processo pra nós. Ufa!
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Já haviam me dito que Frankfurt não chega a ser uma cidade muito interessante comparada às outras cidades da Alemanha, porque é um grande centro financeiro e tem a mesma cara dos outros grandes centros financeiros do mundo, e realmente, para uma primeira impressão, apesar do encantamento de estar na Alemanha, eu senti falta das casinhas Fritz. Sou só eu, ou todo mundo que viaja pela primeira vez à Europa espera encontrar cidades congeladas no tempo? Eu cheguei a Berlim esperando ver escombros da II Guerra Mundial. Meio fora de época, né.
Descemos na nossa estação, já à noite, e tivemos que fazer uma caminhadinha sutil de uns 10 minutos pra chegar ao albergue. Primeiro sinal de que nossas malas tinham sido um erro...
Chegamos ao albergue, nos alojamos, ligamos o note, demos notícias em casa, e simplesmente... desistimos de ir a qualquer lugar. Cansaço + dificuldade de locomoção no tal lugar + acordar às 3h pra ir pro tal aeroporto. Lanchamos no albergue mesmo, fizemos um “tour” ao topo do prédio (não vimos grande coisa no horizonte, mas hey, primeiro dia, tudo é lindo), e nos recolhemos ao nosso (muito aconchegante e bem arrumado) quarto, onde fizemos um flash-amigo e descobrimos 2 coisas:
#1: sumiu uma nota de USD 100 da Bia. Até hoje não sabemos se roubaram, se perdemos, ou se gastamos mesmo e não lembrávamos.
#2: o cheiro desgraçado que nos acompanhava era, sim, nosso, mas não de nossas partes íntimas, e sim da mala da Bia. Um futum terrível de peixe que nós lavamos até com shampoo e não saiu. Eca!
Agora, off to bed, que o dia seguinte começa BEM cedo...
Hoje faz 1 ano que começamos nossa primeira viagem à Europa. Queeeeee saudadeeeeeee!! Pra comemorar esse aniversário, e depois de comentar com Bia que eu queria muito descrever tudo pra nunca esquecer nenhum detalhe, decidi tentar fazer o diário de bordo que eu quis fazer na época, mas não fiz. Até fizemos algo parecido, com nosso scrapbook 100% artesanal e muito lindo, modéstia à parte, mas aqui as palavras dirão mais que as imagens. A partir de hoje, eu tento descrever retrospectivamente o que aconteceu há exatamente 1 ano atrás.
Sem desmerecer meus 2 intercâmbios, que foram momentos especialÍSSIMOS, mas essa viagem merece o título de A Mais Incrível de Nossas Vidas, pois ela resultou de algo que só se pode chamar de maluquice ou idéia de jerico: planejar uma Eurotrip, a primeira da vida, em exatos 5 dias. O tipo de coisa que meu pai esbravejaria “Vocês são malucas! Não planejam nada direito! Deixam tudo pra em cima da hora!”, e que ele teria toda razão. Mas ele não esbravejou, nós não esmorecemos, mamãe não ficou nos olhando com um olhar apreensivo de “têm certeza?”, o que me faz pensar agora que era pro negócio dar certo. E não é que deu mesmo?!
Dia 7 de setembro, feriadão, a criatura se inspira, olha pra mim e fala “vamos mesmo?!”. Precisei de 1 segundo pra assimilar o que aquilo significava, e só mais 1 pra aceitar o desafio. Nesse dia, fomos a uma agência de viagens comprar o seguro-viagem (um seguro de saúde que dizem ser obrigatório pra entrar na UE) e um cartão daqueles Visa Travel Money. Isso feito, veio a parte aparentemente mais difícil: escolher um itinerário que coubesse dentro dos 12 dias que definimos, e que abraçasse o máximo de destinos possível (viagem de pobre é assim, quer ver tudo de uma vez porque não sabe quando vai poder voltar! rs). Essa função foi quase exclusivamente da Bia, que já andava pesquisando sobre os possíveis destinos e fez escolhas acertadíssimas (ponto extra pra Oktoberfest, algo que eu não sei se teria pensado ou descoberto sozinha). Destinos escolhidos, o desafio agora era a logística da viagem, e com isso, todo o resto. Função minha, que na época não estava trabalhando e tinha tempo de sobra. Então, sobrou pra mim o bagaço da laranja: nos 4 dias seguintes, procurar e reservar albergues nas 4 cidades – Frankfurt, onde pousaríamos e teríamos que pernoitar no primeiro dia, Berlim, Munique e Amsterdam (em Estocolmo nós já tínhamos abrigo dos amigos); comprar passagens de avião para Estocolmo, passes de trem para as outras cidades, comprar euros e presentinhos pros amigos gringos que iríamos reencontrar; estudar passeios em cada cidade; imprimir e juntar todos os documentos necessários pra imigrar (o que incluía uma carta em sueco que nosso amigo Johan escreveu se responsabilizando pela nossa estadia, que podia dizer qualquer coisa que nós não entenderíamos mesmo). Parece pouca coisa, mas fazer isso tudo com pressa dá margem pra erros quase vitais (como o que vai acontecer amanhã, rs). Lembro que quase tivemos que cancelar a Oktoberfest porque eu não achava nenhum albergue com preço acessível pra nós, até que na última hora apareceu o lugar peculiar em que acabamos ficando. Cenas do próximo capítulo. Enfim, se alguém me perguntasse se eu recomendo repetir essa doideira, eu diria que não. Mas é inegável que foi a adrenalina (e principalmente a coragem) dessa mini-maratona que ditou o clima de toda a viagem. E looking back, eu acho que não mudaria nada.
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Planejar uma viagem a países desconhecidos, que falam idiomas que você totalmente desconhece, sem nenhuma assessoria além de dicas de blogs, sem guia turístico falando português no local – ou seja, sob a sua total responsabilidade, dá um medinho. A vantagem de planejar tudo em 1 semana (obviamente a idéia já existia há mais tempo, mas só a idéia mesmo) é que era tanta coisa pra ver e aprontar, que não sobrava muito tempo pra parar pra pensar e sentir medo. Isso ficou pro sábado, véspera da nossa partida (que foi um dia bem agitado, nem ficamos paradas em casa curtindo ansiedade). Só quando fechamos a mala, lá pelas 22h, é que fomos assimilar: PQP, não falo alemão, não falo holandês, não vou conseguir nem ler as placas na rua! E se as pessoas não souberem falar inglês pra nos ajudar? E se a gente não tiver competência pra procurar o que fazer sozinhas, e perder toda a viagem dando voltas no quarteirão? Dizem que alemães são grossos, será que vamos ter medo de pedir informação na rua? Foi nesse mix de ansiedade, emoção, expectativa e medinho, que começou nosso dia 12...
Pegamos um taxi em casa às 3:30h, que nos levou até o ponto do Caprioli, o ônibus que nos levaria até o Aeroporto de Guarulhos. Ao chegar, o primeiro indício de que a viagem já estava dando certo foi o funcionário muito gatinho da Lan que nos atendeu. Gatinho, simpático e cheio de assunto, características que você só encontra na Lan do Brasil mesmo. Fizemos nosso check-in, tinha vaga no vôo, ebaaaaa!, e aparentemente em todos os outros vôos da escala também. Começamos bem!
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Partimos de São Paulo para Santiago (3h de vôo), de onde sairia nosso vôo para Frankfurt, com escala em Madri (12h de vôo/escala/2h de voo), mas ainda tivemos umas 6h em solo entre as conexões. Lembro do aeroporto cheio de obras por causa do terremoto que tinha ocorrido havia pouco tempo; muito reboco pendurado no teto e muito plástico protegendo áreas danificadas. Lanchamos no Dunkin' Donuts pra poder usar o wi-fi deles, mas aí veio o problema: a bateria do meu notebook acaba super rápido. Saímos buscando enchufes pra carregar o danado. Aí, veio o segundo problema: o plug dele não encaixava nas tomadas do aeroporto. Começou uma jornada pelas lojas da sala de embarque atrás de um adaptador – e como é que você pede um adaptador de tomada em espanhol? Era enchufe pra cá, enchufe pra lá, até que finalmente o encontramos.
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E aí eu lembro que fizemos uma tweetcam pra falar com nossas amigas aqui no Brasil, e apareceu um povo que ficava nos xingando e a Bia ficou puta, hahaha. Também falamos no Skype com o David, um anjo dourado em forma de amigo sueco, que nos apresentou pela câmera a Matilda, irmã dele, que nos abrigaria lá em Estocolmo. Com tanta distração, até que as 6h passaram rápido. Vambora pra Alemanha!
Se eu falar no msn, serei muito sufocadora? Se eu não falar, serei muito distante e não demonstrarei meu real interesse?
Se ele fala comigo, está me amando? Se não fala, já enjoou de mim, ou simplesmente está sem assunto? Se está sem assunto, será que não tem mais o que conversar comigo?
Fato que não podemos ser bons em tudo na vida... Eu que tenho tanta facilidade com números, contas, problemas lógicos, sou uma completa ignorante quando se trata das angústias do coração; aquelas que fórmula nenhuma explica.
Um dos exercícios que tenho praticado com mais frequência nesse comecinho de ano, é observar e constatar como é recorrente as pessoas que eu amo tocarem a vida em frente e eu continuar sempre parada no mesmo lugar, vendo-as me abandonarem.
Não consigo tirar de mim essa sensação de que a vida está passando por mim e eu estou ficando pra trás, tentando inutilmente agarrar pela manga e arrastar de volta o que já passou.
E aí um dia, depois de tanto lutar e esconder de si mesma a constatação, você resolve assumir: estou em fim de carreira.
Fui para a boate ontem. Saí às 21h30 de casa. Entrei no lugar por volta das 22h. Muita gente bonita. Muita MESMO! Um lugar agradável, boas músicas.
Por volta das 23h eu já estava de saco cheio. Muita gente bonita, mas MUITA GENTE MESMO pra um só lugar. Todo mundo te empurra, te esbarra, você derruba bebida em todo mundo e todo mundo derruba em você. Dançar, impossível. Mas você arranja um lugarzinho mais espaçoso e resolve tentar curtir.
Ninguém te olha. Você joga o cabelo, sorri, canta e levanta as mãos pro alto. Aposta fichas em pessoas de beleza mediana, pra ninguém te acusar de paquerar os mais cobiçados. Ainda assim, ninguém te olha. Sou tão feia assim? Eu mesma respondo: não, não sou tão feia assim. E não me venha com xurumelas dizendo que“se você não se achar bonita, ninguém vai te achar”porque não é o tipo de coisa que um cara detecta em uma night. Mas você resolve beber e acredita que, até o fim da noite, tudo há de mudar.
A caipirinha não te deixa nem no brilho. Você que nunca bebe, não gosta de beber, e que quando bebe fica tontinha rapidinho, porque a resistência à bebida é super baixa, não sente nem cócegas da vodka na sua sanidade mental. Mas você está em boas companhias, rodeada de amigos, então o que importa é se divertir.
Cada um vai pra um canto. Tem gente que quer pegação, tem gente que quer dançar, tem gente que quer sentar. Você só encontra as amigas na fila do banheiro e olhe lá. Mas... Mas NADA! Nessa hora você já ficou extremamente intolerante, começa a ficar com raiva de todos os homens porque eles só olham pras loiras magras, o recalque fala muito alto porque todas as mulheres são mais bonitas que você e, pra piorar, você tá morrendo de fome porque saiu de casa sem comer pra ver se a barriga parecia mais murcha e sente que vai ter que amputar os pés de tanta dor que está sentindo por causa do MALDITO SALTO ALTO! Aliás, quem foi o infeliz que inventou o salto alto? Ele merecia viver com o salto alto no pé pro resto da vida correndo maratonas todos os dias!!!
Conclusão: às 2h eu já estava de pijama na minha cama e a parte mais feliz da noite foi quando o garçom da lanchonete chegou com o meu sanduíche.
É, younger hearts, soon we will be older. E esse soon é mais cedo do que a gente imaginava...
Lista das coisas que não posso mais adiar e farei (ou, pelo menos, me empenharei de verdade em fazer) em 2011:
- Ser mais tolerante e amável com meus familiares, afinal, no fim da linha só eles vão realmente me entender e aturar;
- Praticar o “anti-sedentarismo”, ser mais ativa o dia todo, não pedir pra ninguém fazer o que eu posso levantar e fazer sozinha;
- Parar de acreditar demais nos meus defeitos e começar a acreditar mais nas minhas qualidades, não usando as limitações como desculpa para deixar de fazer certas coisas;
- Acreditar que eu posso ser feliz sozinha e deixar os estorvos partirem, sem medo de não receber mais uma mensagem de texto ou uma ligação cheia de palavras superficiais;
- Doar mais roupas, sapatos, brinquedos ou qualquer outra coisa que já não mais me é útil, parar de ter pena de objetos e me desfazer deles com mais facilidade;
- Desligar a TV e ler um livro, pois apesar de gostar muito, ainda dedico mais tempo aos eletrônicos;
- Aceitar que a fase adulta chega para todos e encarar com mais naturalidade, já que não sou a única com o sentimento de que “está tudo rápido demais”;
- Tirar a imagem quebrada de Santo Antonio do meu quarto, porque dizem que santo quebrado não opera milagres;
- Ser feliz, porque apesar de sempre querer mais, tenho tudo o que preciso.
Tenho quase certeza de que ainda posso incluir mais itens na lista, mas se começar a praticar pelo menos estes, a vida há de ficar mais leve.
“Stress faz adoecer, amor rejuvenescer. Sorria mais e leve a vida simplesmente!”
Momentos de decisões importantes e pesadas sempre me fazem pensar em como a vida adulta é cruel e impiedosa. E olha que está só começando.
Que vontade de ter 18 anos de novo...
Com 18 anos eu já dirigia, já podia entrar em boates e (legalmente) beber.
Tinha acabado de sair da escola e tinha todo o tempo do mundo pra... tudo.
Nunca tinha tido salário, portanto não sentia falta dele.
Nunca tinha feito sexo, portanto não sentia falta dele também.
Não tinha amigos de intercâmbio, portanto deles também não sentia falta.
Tinha perdido 7kg, e deles definitivamente não sentia falta nenhuma.
Passava os dias dançando, malhando, bronzeando, e não sentia nenhuma culpa, porque estava permitido.
Não sabia o que queria ser quando crescesse, mas não tinha problema, porque ainda faltava tanto!
As únicas grandes preocupações eram driblar a saudade da família que tinha partido, e curar uma dor de cotovelo. Fora isso... eu diria que era uma boa de uma vida!
Eu tenho um problema. Na verdade, vários – dá pra perceber pelo conteúdo dos posts, né. Mas esse tá batendo agora pela época do ano.
Eu me sinto mal quando eu vejo as pessoas reclamando que o ano foi ruim e eu penso que, pra mim, não foi tão ruim assim. É estranho isso, né?! Como se fosse obrigatório que eu compactuasse com as pessoas que eu amo e achasse meu ano ruim também. Por que será que isso acontece?
O ano não foi o melhor que já tive, acho que não chegou a passar perto. Tive crises acentuadas no trabalho, a ponto de quase ser demitida. Tive episódios de medo, a ponto de quase desistir de um sonho. Tive problemas com a minha auto-estima, a ponto de... Ah, a ponto de nada, esse caso aí já é normal. Mas, no fim das contas, passei um ano calmo, consegui superar medos, realizei um sonho e ainda satisfiz algumas de minhas vontades mais ordinárias.
Às vezes eu acho que a receita para um bom ano é não esperar demais. Em outras, eu penso que é correr atrás do que quer e fazer acontecer. Depois eu acho que são os dois fatores misturados, mais um monte de ingrediente adicionado. A verdade é que, óbvio e clichê, essa receita não existe e a gente nunca vai conseguir prever se o ano que chega vai ser bom ou ruim. Não tem essa de ano ímpar, número da sorte, idade completada ou o que quer que seja.
Eu desejo pra mim um ótimo ano em 2011. Desejo, principalmente, continuar superando os meus medos, porque foi a única coisa com a qual me deparei na vida que realmente quis me fazer parar de realizar minhas vontades. Desejo mais abraços, porque é um conforto pro meu coração carente. Desejo mais determinação pra me prender de verdade nas minhas reais vontades, sem medo de ser feliz. Desejo mais família, porque eu amo a minha e não vivo sem. E desejo diversão, porque sem ela não dá pra encarar esse mundo louco.
Eu tenho muito ciúme dos meus amigos. Bastante mesmo. Não que eu seja uma louca e saia fazendo a Heloísa (aquela da “Mulheres Apaixonadas”), mas eu sinto bastante desconforto quando vejo troca de sentimento entre eles e outras pessoas.
Engraçado, eu nunca me considerei uma pessoa ciumenta. Eu namorei, vi meu namorado contracenar com outras mulheres, beijá-las, agarrá-las, e eu não senti uma pontinha de dor. Sei lá, acho que eu confiava muito em mim. Mas quando vejo amigos meus fazendo amizade com outras pessoas e me deixando de lado... Olha... Eu fico pra morrer.
Recentemente eu descobri que eu sou um pouco mais louca do que normal. Descobri que tenho ciúme de muitas coisas. Sim, COISAS. Tenho ciúme de músicas, lugares, ídolos, roupas... É normal isso??? (Ainda que seja anormal, por favor, colaborem comigo.)
Eu DETESTO quando a música que eu descobri antes de todo mundo fica na moda e as patricinhas começam a colocar deliberadamente em seus nicknames do MSN. Eu fico muito enfurecida quando vejo pessoas indo a lugares que eu fui antes e considero especial demais para tal indivíduo. Eu tenho vontade de chorar quando vejo alguém usando a roupa que eu queria comprar e não tinha o meu tamanho. Fico PUTASSA quando as garotinhas de 13, 14 aninhos vão ver o Giba jogar e juram que são as maiores fãs do cara. Recentemente fui dormir algumas noites chorando porque não conseguia ingresso pra ver o U2 e o que mais me doía era saber que pessoas que baixam as músicas da banda na internet iam e eu, que compro os CDs, não ia.
O ser humano tem uns lances esquisitos né... Freud explica?
Hoje me deu muita vontade de escrever sobre qualquer coisa, mas eu não consigo pensar em sequer umazinha específica. Tem muita coisa rondando a minha cabeça – pra variar. Aí eu me lembrei de uma aula que eu tive na faculdade, chamava “Criatividade no Jornalismo”.
A aula era, no mínimo, interessante. A gente tinha que fazer uns exercícios muito loucos pra, obviamente, exercitar nossa criatividade de forma geral. Numa dessas aulas o professor passou um exercício que a gente tinha que ficar escrevendo sem parar. Tínhamos que escrever uma história mas não podíamos parar de escrever nem um segundinho em um período de 5 minutos. Se você não conseguisse pensar em nada, escrevia “não consigo pensar em nada”, mas o objetivo era nunca parar de escrever.
Eu tive vontade de fazer isso, mas, como já mencionei no post anterior, corro risco de ser descoberta. Mas se alguém me ler aqui e tiver sem nada pra fazer, pratique esse exercício. Você vai se surpreender depois, ao ler seu devaneio, no tanto de coisa diferente que a sua cabeça pode pensar em apenas 5 minutos. Imagina o quanto um cérebro não trabalha um dia inteiro, hein...
Eu quero postar aqui, mas eu não sei se devo falar metade do que eu tô pensando. Eu queria que isso aqui fosse um diário, que só pessoas autorizadas lessem ele, mas dá? Claro que não dá. Diário mesmo só à moda antiga, aqueles caderninhos com cadeado. Se bem que a tecnologia tá tão avançada que daqui a pouco inventam um jeito de fuçar o diário alheio e ainda inventam um outro aplicativo pra te mostrar “quem olhou o seu diário ultimamente”...
A verdade é que toda essa tecnologia deixa o meu pensamento muito paradoxal. Se não fosse a internet, nem o meu atual emprego eu tinha – ele, sequer, existiria. Sem a tecnologia eu jamais conseguiria manter contato com os amigos distantes. Sem a tecnologia eu não teria conseguido realizar meu sonho de ir pra Europa. Mas cara, por outro lado, sem a tecnologia eu não seria a neurótica que eu sou esperando uma pessoa me mandar um recado no Facebook ou falar comigo no MSN, sem a tecnologia eu teria mais esperanças em receber uma ligação e, surpresa, descobrir quem é a pessoa do outro lado – já que não existiria such thing as identificador de chamadas... Sem a tecnologia, resumidamente, eu seria outra pessoa.
Uma outra pessoa melhor? Uma outra pessoa pior? Não sei. E acho, com 90% de certeza, que eu nunca saberei. Mas aí eu me pego pensando nas pessoas de antigamente, de outras décadas, séculos, milênios... Pode ser coisa da minha cabeça, mas eu tenho a impressão de que elas eram muito mais felizes, de que o amor era uma hipótese real e certa pra todo ser humano, de que até a violência era uma coisa mais escassa.
Quanto mais a tecnologia me dá a sensação de proximidade, mais afastada eu me sinto. Ninguém mais se dá o trabalho de visitar um amigo no tempo livre, de ligar pra dizer a uma pessoa simplesmente o quanto essa pessoa lhe faz falta, escrever carta então... Virou lenda!
Hoje eu tô com o humor extremamente abalado por alguns motivos. TODOS eles estão relacionados à tecnologia. E aí, tem solução?